Filme Confiar: o problema real não é a pedofilia

Hoje vamos abordar um pouco sobre o filme Confiar, em específico falaremos sobre dois problemas graves que são abordados intencional e não intencionalmente pelo filme:

Hoje vamos abordar um pouco sobre o filme Confiar, em específico falaremos sobre dois problemas graves que são abordados intencional e não intencionalmente pelo filme: as conseqüências do não relacionamento entre  filhos e pais e da cultura hedonista que nos cerca. No filme nos deparamos com a realidade de que o perigo ao quais crianças e adolescentes se dispõem é tão diverso e inusitado que não parece ter como prepará-las para tudo.  

No filme confiar – não recomendado para menores – assiste-se a estória de uma adolescente que começa a criar uma amizade solidíssima pela web, com o passar dos dias vai descobrindo coisas que põem em dúvida se é certo continuar com este relacionamento, mas que na dúvida, prossegue. Chega o dia em que encara a situação, vai ao encontro  e terá sua vida mudada, pra pior, pra sempre.  O filme aparentemente retrata a realidade que  surge hoje:  perigos virtuais que se desenvolvem  mesmo na presença dos pais.  

Aos que quiserem saber mais sobre o filme, não vou prosseguir contando, ou vocês assistem ou procuram outra crítica sobre ele – eu indico assistir. Neste artigo não vamos tratar do grave assunto do filme: pedofilia web.  Vamos tratar aqui de onde está o principal problema, aquele que culmina neste desfecho trágico:  A  falta de diálogo dos pais e a cultura hedonista.

Temos no dia a dia tantos perigos para as crianças, tentamos de todos os modos prepará-las para tudo, mas sempre aparecem coisas novas que não esperávamos.  E mesmo coisas  antigas, com nova roupagem, que já nem nos precavemos adequadamente contra elas. E é na adolescência que os filhos passam a estar mais longe dos pais, em ambientes sem supervisão, sem ninguém de confiança, tantas vezes só com amigos da mesma idade, e conseqüentemente só podemos confiar que foram para onde nos disseram. Neste período fazem suas escolhas mais livremente.  Mas, apesar de toda esta liberdade, não estão preparados para tudo! Embora este seja o período em que eles passam a ir se deparando sozinhos diante das realidades e ambientes, não estão preparados. 

O que fazer? seria só esperar na sorte? Não, há uma resposta plausível: É preciso continuar formando. Mas agora, de modo melhor, formá-los nos pontos em que estão enfrentando. E para isto é preciso o diálogo com os filhos, às vezes ele só se abre com o pai, ou só com a mãe. Ótimo, já se abre com alguém, aproveite-se esta linha e os forme. Aproveite este ponto e o pai  sendo o amigo e a autoridade os oriente. Se não há isso ainda, é preciso cultivar, se você o ama deve preferir ter ouvir  “adolescentíces” do que só esperar eles virem quando houver o problema.  É  algo contínuo, não se deve esperar aparecer o problema, pois se você não dialoga com os filhos nem vai saber qual é o problema, e às vezes, nem mesmo se há problema.

Se formos pegar exemplos do filme :
- algo que se falou é que havia meninas que haviam tido relações sexuais com meio time do colégio, e que para elas era normal;
- a triste realidade de que devido a internet tudo  se agravava mesmo na presença dos pais;
- Em uma das festas as garotas falavam livremente de como ter relações sexuais ou como estava sendo o uso de drogas;
- a mãe no início tenta até entrar em sua vida mas não consegue como vai tentando mas como algo periférico;
- a total tentativa dela de achar que o que lhe aconteceu era normal, e até mesmo de tentar insistir no erro por não entender ainda toda a realidade que passava e não ter ninguém para confiar algo tão grande se não aquele que era até então seu melhor amigo;
- A pior parte porém, não são nem estas: é ver a filha com dificuldades tentando conversar com o pai e o pai não dar tempo pra ela, enfim, estava ocupado;
- Vemos ainda ele usando uma série de regras pra filha ou tentar dialogar depois de tudo já ter sido perdido. 
Foi feito o cenário do desastre.

Juntamos estes exemplos com o hedonismo moderno do filme: ideologia da cultura em que a sexualidade vem sendo ensinada como meio para o prazer disponível desde a mais tenra idade. No filme é acolhido pelas adolescentes e subentende-se ser assim ensinado  pelos pais e professores. No filme inteiro não se mostra que os pais sejam contra esta cultura, dá a entender mais que fosse uma família comum dos filmes dos Estados Unidos: a filha deveria perder a virgindade quando estivesse subjetivamente pronta com alguém de sua vontade, um namorado legal, ou um paquera de quem gostasse, e a partir de então usasse de sua sexualidade íntima com seus casos.  Era essa a cabeça da adolescente, o erro veio diante de algo que na cabeça dela foi ensinado como algo normal.

Este é o principal erro apontado - acho que sem querer - da cultura que vem se impregnando em nossa sociedade: a sexualidade íntima ser prioritariamente para a diversão, e não como conseqüência da responsabilidade.  E não é assim.  Isso mata não só a alma, mas também o corpo, a psique,  a índole, o respeito, o amor. A sexualidade é para o amor, amor verdadeiro que não é amor barato, mas amor que se compremete, não um amor que lembra mais a emoção de um videogame.

O filme vai tratar ainda sobre regulamentação web, dispersão e fragmentação das pessoas na internet, facilidades nocivas da web, investigação policial que não tem como chegar ao bandidos, mas tanto estes como outro temas são só conseqüências dos problemas  iniciais que nos deparamos.

Cultive no seu filho a transparência, utilize da amizade para ensinar, e o seu controle de pai, se preciso,  deve ser utilizado  antes “do leite estar derramado”. Perceba que isto só será utilizado corretamente se souber o que está havendo, o que ele está enfrentando.  Enfim, diálogo, amizade, amar e mostrar que o ama, e a autoridade natural e espiritual que se tem a respeito deles precisa continuamente ser utilizada.  É preciso confiar, sim é, mas não confiar num estranho, seu filho não pode ser um estranho pros pais.

Algo muito importante e que mereceria até um capítulo a parte: é preciso ter os valores verdadeiros para se poder ensiná-los. Por mais que não se tenha tido em sua vida eles, hoje se está querendo e se lutando para ter? Procure, vá atrás, lute, é preciso primeiro ser formado neste valores para poder formá-los, é preciso primeiro ser um valor para você aquilo que é certo para poder se buscar passar o certo. E se não é,vá atrás de que seja, pois se seu filho não ver este valor em você, que ele veja pelo menos a empenhada luta ao qual você está lidando.

Com certeza milhares de perigos ainda espreitarão e poderão atingir seu filho, mas havendo diálogo entre filhos e pais, e a correta condução, a grande maioria deles , os mais graves, e se Deus quiser, todos poderão ser  vencidos. 

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por ndos, com shalom


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